GT44: Juventude, utopia e as artes da cidadania

 

Resumo

Com este GT procuramos reflectir sobre o papel desempenhado pela juventude enquanto motor de reflexão crítica e transformação social, num período de crise e incerteza. Perante um ce-nário histórico que se apresenta cada vez mais incerto e frágil, marcado por um acentuar da crise climática e da destruição dos ecossistemas, pela ascensão do populismo e do nacionalismo, pelo acentuar das desigualdades sociais e pela fragilização do Estado social, procuramos entender de que forma a juventude pensa o futuro e age numa perspectiva glocal, no sentido da construção da mudança. Idealizar, experimentar ou lutar por utopias é, por isso, um elemento central dessa busca por novos horizontes. A criatividade, as artes e a cultura têm desempenha-do, historicamente, um papel central neste âmbito. Criatividade na formulação de novos projectos e ideais de vida, mas também na forma como os mesmos são defendidos, implementados e narrados, com recurso à música, ao cinema, à performance, à literatura, etc. A produção cultural e artística é um elemento chave para a construção das identidades juvenis, como tem sido detalhado pela literatura especializada. Esta desempenha um papel articulador relevante na construção de laços identitários e comunitários, convidando a construir novas visões do mundo e da realidade que, tantas vezes, colidem com o mundo adulto da normatividade hegemónica. Os jovens estão, por isso, na vanguarda de correntes contraculturais, na linha da frente da inova-ção e da fabricação de utopias que ocorrem à margem dos canais institucionais. No nosso entender, a artes da cidadania são territórios de expressão estética e política (arte urbana, rap, fanzines, activismo digital, culture jamming, funk, poetry slam, etc.), compostos por agentes, gramáticas expressivas e canais de comunicação, através dos quais os jovens engendram colectivamente um sentido para o mundo. Neste GT aceitamos propostas de diferentes áreas disciplinares que tenham por base pesquisas empíricas ou reflexões teóricas que tratem os temas mencionados.

Coodenadores: Ricardo Campos (CICSNova, Nova FCSH); Alix Sarrouy (CICSNova, Nova FCSH); Alexandre Barbosa Pereira (Universidade Federal de São Paulo); Glória Diógenes (Universidade Federal do Ceará-UFC ) & Tirso Sitoe (Bloco 4 Foundation). Leia mais aqui: http://ailpcsh.org/conlab2020/

Quando o cidadão se torna observador: experiências a partir das eleições gerais 2019 em Moçambique

 

Resumo

Desde a realização das eleições inaugurais em Moçambique (1994), vários mecanismos de observação já foram implementados no país, partindo da mobilização de organizações internacionais, bem como a emergência interna de entidades que se prontificam cada vez mais a observar os escrutínios no país. De facto, as eleições gerais de 2019 foram disso um exemplo, chegando mesmo a ser apelidadas como aquelas que podiam concorrer como as mais observadas do continente Africano (Nyusi, 2019). Diante desta observação surge com maior vigor a adopção de plataformas tecnológicas e virtuais que possibilitem não só a observação em si, mas igualmente a interação que se cria entre os políticos e eleitores. Contudo, esta equação não pode ser analisada longe dos obstáculos da fraca disponibilidade e expansão da Internet em Moçambique, bem como a carestia do processo acesso. Assim, o presente seminário pretende buscar dois resultados entre si relacionados: (1) experiências promovidas por cidadãos organizados ou entidades coletivas em torno da observação eleitoral virtual durante as eleições gerais de 2019; e (2) propostas de sustentabilidade para iniciativas que perdurem para além dos momentos eleitorais em Moçambique.

Oradores: Fernanda Lobato ( Olho do Cidadão), Sara dos Sitoe (CAICC), Osman Cossing (IMD), David Fardo ( Parlamento Juvenil) & Tirso Sitoe ( Bloco 4 Foundation)

Gerações em lutas por utopias

 

Resumo

No contexto das lutas sociais, diferentes configurações de engajamento cívico e de cidadania através de expressões artísticas, tem sido um importantíssimo ponto de entrada para mapear e discutir as desigualdades sociais em circuitos metropolitanos mas também, as possíveis respostas a elas. "Gerações em lutas por utopias" é resultado de um ciclo de conversas públicas que teve lugar em Maputo, capital moçambicana e nele, explora-se fundamentalmente, como o conhecimento convencional é traduzido em uma dimensão artística, mas também como arte é usada como reflexão científica dentro e fora das incubadoras da academia em uma perspetiva geracional de lutas.

Oradores: Diana Manhiça ( Museu do Cinema), Hélder Nhamaze ( Departamento de Antropologia e Arqueologia da Universidade Eduardo Mondlane) & Tirso Sitoe ( Bloco 4 Foundation)

Experimentos visuais: A narrativa da sexualidade feminina partilhada por Homens e Mulheres

 

Resumo

Este painel propõe lançar olhares sobre a narrativa da sexualidade feminina, historicamente saturada de restrições e meticismo com base em experimentos visuais de um grupo de artistas visuais/plásticos em Maputo. Este desafio sugere também, fazermos uma análise crítica socio antropológica em torno da cultura e sexualidade.

Oradores: Celma Costa ( Escritora), Pedro Mahumbi ( Artista plastico) & Sandra Manuel (Antropóloga Social).

Gerações em lutas por utopias- Propostas à partir de Moçambique

 

Resumo

As experiências das várias lutas de organizações e movimentos sociais em Moçambique, especialmente de mulheres, feministas, trabalhadoras e camponesas, revelam várias frentes de atuação que vão gradualmente tornando visível a contribuição das mulheres na construção da cidadania em Moçambique. Com efeito, seja nos registos oficiais, na literatura, no campo das artes ou ainda através da história oral, em vários momentos se identifica a importância da participação das mulheres moçambicanas na luta por direitos fundamentais, do empoderamento económico ao empoderamento político e à representatividade; por políticas públicas para educação e pela saúde; o desafiar e o enfrentar das várias experiências de violência contra as mulheres e raparigas. Nesta secção pretende-se refletir por um lado, a partir de um perspetiva geracional, que papel as mulheres tem jogado em contextos de crise económica ou instabilidade politica e a partir de que lugares/palcos se fazem ouvir. Por outro lado, de que modos os médias convencionais e digitais tem jogado no silenciamento, visibilidade ou (re) produção de estereótipos da luta dos movimentos de mulheres feministas em Moçambique.
 

Oradores: Isabel Casimiro ( Centro de Estudos Africanos, Universidade Eduardo Mondlane), Maria Paula Meneses ( Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra) & Withney Sabino ( Bloco 4 Foundation)

Maputo Street Art: Youth, Urban and Social Imaginary

 

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Maputo has been the stage, in recent times of artistic interventions, by youth movements of urban art, with emphasis on fashion, sports techniques associated with art as well as the activation of public spaces. These movements have been evidenced by the different configurations of visual communication that illustrate the development and articulation of individual and collective projects that move diverse actors between political, cultural and social fields in which the performances with activist character contribute and structure different commitments of the artistic production to the political and human action in the urban environment. However, it is intended in this section to think about the intersections between fashion, identity and activation of public spaces at first. In a second, it is suggested to cast glances beyond the mobility of Skate, lifestyles in a generational perspective. In the last and third place is intended to instigate as emerging young artists, starting from a social imaginary, has reinvented itself in contexts of austerity in peripheral or urban ateliers of Maputo.

Oradores: Alberto Correia ( Artista Plastico), Francisco Vinho ( Maputo Skate), AfroIvan ( Artista Plastico) & Baltazar Muianga ( Departamento de Sociologia da Universidade Eduardo Mondlane)

Repensar os movimentos sociais

 

Resumo

Nesta conversa pública, propõe-se explorar as dinâmicas de movimentos sociais em Moçambique, recorrendo-se a narrativas musicais de RAP de protesto, especialmente o álbum “O Enteado da pátria” de Olho Vivo, como ponto de entrada, para problematizar a denúncia de uma realidade percebida como opressora, tipicamente feita por outsiders de um dado contexto sociopolítico, mas também e essencialmente de engajamento e de desafio ao status quo.

Oradores: Edgar Barroso ( Bloco 4 Foundation), André Cardoso ( Rapper, Bloco 4 Foundation)  & Tirso Sitoe ( Bloco 4 Foundation)

Antropologia da Jocosidade

 

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Neste seminário Nelson Mugabe vai falar sobre um tema pouco explorado no campo académico moçambicano: o riso, o humor e a brincadeira. O orador apresentará uma revisão da literatura sobre estes três conceitos nas ciências sociais, olhando de forma particular, para o seu uso e práticas no universo LGBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais).

Oradores: Nelson Mugabe ( Bloco 4 Foundation)

Reinventar o Discurso & o Palco: O RAP, entre saberes locais e olhares globais

 

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O colóquio é uma iniciativa centrada no programa de pesquisa denominado “RAProtestar” e surge da ideia de refletir-se sobre o modo como se de reinventar o discurso e o palco, como lugares de promoção da democracia, compreensão das dinâmicas do poder e formas alternativas não institucionalizadas, de dialogar com os agentes e representantes do Estado em Moçambique, principalmente em contextos de crise.

Oradores: Janne Rantala ( Bloco 4 Foundation), Tirso Sitoe ( Bloco 4 Foundation), Soraia Simões ( Mural Sonoro, Portugal), Vera Gasparetto ( Bloco 4 Foundation), Iveth Mafundza (MC), Carlos Serra Junior ( Cooperativa Repensar), Elisio Jossias ( DAA, Universidade Eduardo Mondlane) & Iñigo Sánchez (Belfast University).

OS MUROS ESTÃO Mudos?

 

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Nos últimos anos, na cidade de Maputo, encontramos grupos que atuam em diferentes frentes ou formas de artivismo que se pautam pela ideia de ocupação temporária dos muros ou paredes no espaço público urbano. Suas atividades, algumas vezes, centram-se na necessidade de dar valor de uso a estes espaços, mesmo quando deparados com fricções institucionais ou de indivíduos que operam na centralidade do poder político e concebem o “grafitte” como sendo cultura “marginal”, pelo facto de estar voltada à denúncia de vulnerabilidade social e que atenta contra a ordem ideológico-político instituída. Dentro deste contexto, pretende-se, com o presente seminário, tomar um ponto de partida para (re) pensarmos o direito à cidade através do grafitte. Este exercício implica compreender o modo como a trajetória artística, a temática dos murais, os lugares onde são projetados, e o tipo de técnica usada, constroem no imaginário urbano e social dos indivíduos, formas de existenciais da própria cidade.

Oradores: Bruno Mateus/ Shot B, Baltazar Muianga ( Departamento de Sociologia, Universidade Eduardo Mondlane) & Tirso Sitoe ( Bloco 4 Foundation)

Rap e ativismo político: Estudos de caso em Angola, Brasil e Moçambique

 

Resumo

Busca-se refletir sobre a relação de conflito em três países entre o sistema hegemônico e as formas de resistência, tendo como foco o rap de intervenção social. O rap é, para além de um ritmo musical, uma ferramenta contra-hegemônica e pós-colonial, que permite o empoderamento de jovens e periféricos. Os rappers de intervenção social questionam as situações políticas e sociais em seus espaços de atuação, provocando a sociedade para as questões críticas, através de um discurso poético. Para a antropóloga Clarence Sansone, o rap de intervenção é “antropologia social com ritmo”, devido à dimensão política e social que as músicas apresentam. Já o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, considera que os rappers passaram a ocupar um espaço de resistência com dimensão artística, em um momento no qual a esquerda estava perdendo a sua força política e as ciências sociais limitavam seu alcance, devido a utilização de uma linguagem muito específica. A partir dessas perspectivas, busca-se analisar divergências e semelhanças discursivas entre os rappers do Brasil, Portugal e Angola. No Brasil, o hip hop possibilitou um inédito debate político nos guetos de várias regiões do país, apresentando questionamento sobre a condição de excluído, sobretudo dos negros e favelados. Em Portugal, os rappers são os pioneiros em contestar a xenofobia e o racismo sofrido pelos imigrantes e seus descendentes. Já em Angola, o rap representa o fim do silêncio da música política, depois de duas décadas sem produções contestatórias no país, devido ao regime de restrições implantado. Busca-se entender ainda como se dar a relação desses rappers com os veículos de comunicação, visto que a maior parte dos rappers de intervenção social apresentam críticas à grande mídia e, muitas vezes, recusam participar de programas televisivos.

Oradores: Carlos Guerra Junior ( Doutorando no Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra, Pesquisador associado Bloco 4 Foundation)

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