As experiências dos processos eleitorais em Moçambique se tem baseado em três principais premissas: A primeira premissa sustenta a ideia segundo a qual, existe um clima de suspeita e de desconfiança entre os elementos que compõem os órgãos de gestão eleitoral (Comissão Nacional de Eleições e o Secretariado Técnico de Administração Eleitoral). Este posicionamento, se traduz na falta de credibilidade por parte dos partidos políticos, especialmente da oposição, pois acreditam que estes órgãos, se encontram-se ao serviço ou perante aos interesses do partido no poder desde a independência (FRELIMO). A segunda premissa sustenta a hipótese de que os processos eleitorais moçambicanos abrem espaço para que a maioria dos cidadãos, não reconheça que a política e os processos políticos, se ocupem dos assuntos que lhes interessam. Isso leva-nos a pensar que a abstinência dos cidadãos nos processos eleitorais, se deve ao facto de muitos deles, não reconhecerem os partidos políticos como seus legítimos representantes nos órgãos centrais dos processos políticos e de governação, devido a fraca representação dos interesses das classes sociais economicamente excluídas, dos processos decisivos. Na terceira e última premissa, abre-nos espaço para lançarmos olhares sobre o uso da violência, como um sintoma essencial do fracasso da institucionalização das eleições, como mecanismo para os partidos políticos, acederem ao poder político, principalmente no contexto pré-eleitoral e pós-eleitoral. Isso, na verdade, sugere que a intimidação aos eleitores e ataques à liberdade e propriedade de adversários políticos, podem ser tomados, como exemplos da violência grave, politicamente motivados, o que prova que os principais atores, não consideram legítimas as eleições e que leva a pensar, fundamentalmente, até que ponto o processo eleitoral “é livre, justo e transparente”. Dentro desse contexto, o presente projeto tem por objetivo, melhorar o acesso à mídia digital como ferramenta de observação eleitoral. Isso, passa pela necessidade de consciencializar a população jovem moçambicana sobre o poder das plataformas digitais, como ponto de entrada para vincar a sua participação política como “cidadão observador” nos processos eleitorais de 2019.

Coord: Tirso H Sitoe e Fernada Lobado (Txeka)

Assistentes: Fiel Matsinhe, Luis Baptista, Lucia Ululu, Minelda Mausse, Nelton Massimana.

Locais: Provincia de Nampula, Sofala & Inhambane.

Fundos: OXFAM internacional in Mozambique, Programa AGIR.

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